{"product_id":"memoria-sobre-a-cultura-e-productos-da-cana-de-assucar-gb-25148","title":"Memoria sobre a cultura, e productos da cana de assucar","description":"\u003cp\u003e\u003cb\u003eMemoria sobre a cultura, e productos da cana de assucar\u003c\/b\u003e\u003c\/p\u003e\u003cp\u003e\nTitle: Memoria sobre a cultura, e productos da cana de assucar\nAuthor: Jos Caetano Gomes\nRelease Date: April 23, 2008 [EBook #25148]\nLanguage: Portuguese\nCredits: \n\n\n\n\nProduced by Rita Farinha and the Online Distributed\nProofreading Team at http:\/\/www.pgdp.net (This file was\nproduced from images generously made available by National\nLibrary of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).)\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nNota de editor:\nDevido \nquantidade de erros tipogrficos existentes neste texto,\nforam tomadas vrias decises quanto \nverso final. Em caso de dvida, a grafia foi\nmantida de acordo com o original. No final deste livro\nencontrar a lista de erros corrigidos.\n\n\nRita\nFarinha (Abr. 2008)\n\n\n\n\n\n\nMEMORIA\n\nSOBRE A CULTURA, E PRODUCTOS\n\nDA\n\nCANA DE ASSUCAR\n\n OFFERECIDA\nA S. ALTEZA REAL.\nO PRINCIPE REGENTE\n\nNOSSO SENHOR.\n\nPELA\n\nMESA DA INSPECA DO RIO DE JANEIRO.\nAPRESENTADA POR\n\nJOZE CAETANO GOMES,\n\nE DE ORDEM DO MESMO SENHOR\nPUBLICADA\n\nPOR\nFr. JOZE MARIANO\nVELLOSO.\n\n\n\n\n\nLISBOA:\n\nNa Offic. da casa litteraria do\narco do\ncego.\n\n\nAnno M. D\nCCC.\n\n\n\n\nSENHOR.\n\n\n\nA Mesa da Inspeco do Rio de\nJaneiro, desejando\nconformar-se com os ardentes desejos, que\nV. A. R. tem de fazer felices os Habitadores do\nBrasil, por huma bem entendida Agricultura, e\ndesta sorte satisfazer tambem as suas Reaes Ordens,\nrecomendou a Jose Caetano Gomes, que lhe apresentasse\nas reflexes, que os seus vastos conhecimentos\nlhe tivessem subministrado, sobre a factura\ndo Assucar nos Engenhos do Rio de Janeiro, a\nque elle satisfez no dia 16 de Maro do anno proxime\npassado de 1799., lendo perante ella a\npresente Memoria, que, sendo dirigida a V. A. R.,\nse dignou ordenar-me, que houvesse de a fazer imprimir,\nem beneficio de seus fieis vasallos dos vastos\ndominios, naquelle Continente.\n\nComo pois Andr Joo Antonil no\nseu livro\nda Cultura, e opulencia do Brasil, no faz mais,\nque dar huma simples relao do modo de cultivar\na Canna, extrahir Assucar no Brasil, creio, SENHOR,\nou talvez posso assegurar, que, sobre\neste objecto, esta he a primeira cousa, ou a unica\nmelhor escripta em nossa linguagem pelas sabias,\ne luminosas reflexes, com que a enriquece, e que\nseu Author he digno das Soberanas vistas de\nV. A. R., a cujos ps se prostra\n\n\nO mais humilde vassallo\n\n\nFr. Jose Mariano da\nConceio.\n\n\n\nPROEMIO.\n\n\n\n\nSendo a Provincia do Brasil considerada como\nmelhor Colonia do Mundo, no se sentindo em\ntoda ella nenhum dos flagellos da natureza, pois\nno h terremotos, furaces,\nvolces, fomes, nem\npestes; gozando de hum clima benigno, e, \nexcepo\nde poucas trovoadas, que servem de depurar\no seu r, e concorrendo todas as causas fysicas, com\nhuma vegetao sempre activa, para fazerem a\nfelicidade\ndos seus habitantes, no se poderia comprehender,\no no ter chegado este bello paiz\nao maior gro de prosperidade possivel, se se no\nsoubesse, que as causas moraes, podem tanto, ou\nmais que as fysicas, para deteriorar o melhor\nterreno.\n\n\n\nA Agricultura, a primeira, a mais util das\nArtes, que nutre a todas, e faz a base da prosperidade,\ne fora dos Estados, no sahio ainda da\ninfancia no Brasil; todas as plantas so cultivadas\npor costume, e sem principios; as luzes da Europa\nculta chego c to fracas, que\nno podem\naclarar-nos; as couzas mais triviaes, de que podamos\nter abundancia, no se sabem trabalhar. A\nCanna de Assucar sendo o vegetal mais precioso,\ncomparado o seu producto, com o que tiro os\nEstrangeiros das Antilhas, he menos de ametade.\nEntregue a sua cultura  escravos conduzidos por\nhum feitor, sem mais talentos que, os que lhe suggere\n[II]\na sua ferocidade; a manufactura do Assucar,\ne da aguardente, executada por ignorantes, que\nno sabem a razo dos factos, nem conhecem a\nnatureza das differentes partes, que constituem\nos liquidos, sobre que trabalho; os donos das\nfbricas\nolhando com indifferena para todos estes\nobjectos, julgando-os indignos da sua applicao;\nno he de admirar, que desta sorte haja o atrazamento,\nque se v na cultura, e producto da Cana\nde Assucar.\n\n\n\nConheo alguns Senhores de engenho, que se\ndistinguem pela sua instruco; para estes\nno he\nque escrevo; a minha obra he dirigida smente,\naos que sabem ainda menos do que eu, e que esto\ninteiramente entregues  disposio\ndos seus\nobreiros. A cultura actual, respeito  que se\npropem,\nfaz huma grande differena. Quem est\ncostumado a plantar Cana na distancia de hum,\na dois palmos, e que assim se d bem, difficilmente\npoder conceber, que, plantando na de seis,\nlucrar mais. Ainda que a razo, e a experiencia\nfao conhecer, que as plantas devem ser\nafastadas\nhumas das outras, segundo a sua grandeza,\ne a quantidade de succos, de que carecem, no\npertendo que se adopte o novo methodo, sem que\ncada hum se convena por si mesmo da sua efficacia.\nPlante-se hum quadrado de doze braas,\nque deve conter quatrocentas covas de Cana, segundo\no methodo que se propoem; plante-se outro\nquadrado igual, na mesma qualidade de terra, segundo\no methodo que se pratica; faa-se assento\nda despeza de huma, e outra cultura separadamente;\napure-se o producto destas duas especies\nde plantao; deduzo-se-lhe as\nrespectivas despezas\ne a resulta que se achar he o que se deve\n[III]\nseguir. As experiencias em pequeno no arruino\na alguem, e podem ser seguidas de grandes utilidades.\nO que digo sobre a cultura da Cana, e\nlembro a respeito s suas dependencias, manufactura\ndo Assucar, e aguardente; he o que me parece\nmelhor; porm cada hum deve ver por si mesmo,\ne fazer tudo o que a experiencia lhe mostrar mais\nutil.\n\n\nDESCRIPA\n\nDA\n\nCANNA DE ASSUCAR,\n\n\nSEGUNDO A VISTA\n\nQUE APPRESENTA.\n\n\n\n\nA canna de Assucar, tem a apparencia das\noutras cannas destituidas de medulla; he huma planta\nda familia das gramineas; como ellas, he cheia\nde articulaes, ou ns, que\ndisto huns dos outros,\nde meia at quatro pollegadas, segundo a bondade\ndo terreno, produzindo huma folha em cada\narticulao, ou n, cercada de\npequenas raizes,\nonde h hum boto, ou olho, destinado a ser\ncanna,\nse se deposita na terra. Estes espaos entre\ncada articulao, a que se chama gomos,\nso cheios\nde huma medulla esponjosa, elastica, succosa,\ndoce, cuberta de huma casca pouco dura, lenhosa,\nque se deixa penetrar pela unha; destinada a\nse extrahir della hum sal essencial, que se chama\nAssucar. O seu comprimento, ou altura, he de\nseis, a doze palmos, segundo o terreno, na Cappitania\ndo Rio de Janeiro, e de oito, a doze linhas\nde diametro. Succede adquirir algumas braas de\ncomprido, se cahe, e as raizes, que circundo os\nns, introduzindo-se na terra, fazem collos;\nporm\ns o que sobe ao r depois da ultima raiz, he\n[2]\nque tem doura, tudo o mais he perdido. A Natureza\ntem destinado dezoito mezes a esta planta\npara chegar  sua perfeio; se he\ncolhida antes,\nou depois deste termo, o rendimento he menor\nem proporo que delle se afasto;\nporm com\nmaior prejuizo depois, que antes da madureza. Isto\nhe relativo  Estao; grandes\nsccas, ou grandes\nchuvas, accelero, ou retardo esta colheita.\n\n\n\nAinda que, como outra qualquer planta, a\nCanna de Assucar florea, e d semente, a\nfrma\nde se multiplicar, he lanar na terra pequenas estacas\ntiradas da parte superior da Canna, onde\nno tem doura; porm isto\ns pde fazer-se, quando\na plantao he ao mesmo tempo, que a colheita,\nfra disto toda a Cana desde a raiz he empregada\nem estacas.\n\n\nComo se cultiva\nactualmente a Canna de\nAssucar.\n\n\n\nCada plantador de Canna, segundo as suas faculdades,\nvai com dez, vinte, quarenta, ou mais escravos\ncom enxadas, limpar de todas as hervas huma\ncerta poro de terra, onde quer fazer aquillo\na que se chama partido.\n\n\n\nAs plantas, ervas, ou capins arrancados, ou\ncortados com a enxada, so sacudidos da terra pelos\nmesmos escravos, que trabalho enfileirados,\njuntos em pequenos monticulos, para no caso de\nsobrevir chuva, no pegarem as raizes na terra.\nDepois da terra capinada, ou limpa de plantas,\nvo os escravos abrir covas com a mesma enxada;\ncujas covas so huma especie de regos, de duas,\na tres pollegadas de profundidade, na distancia\n[3]\nhuns dos outros, de hum palmo, a palmo e meio;\ne se suppem a terra muito boa, chego a dois\npalmos. So lanadas nestes regos duas estacas de\nCanna, de palmo e meio de comprido, e se cobrem\ncom a mesma terra, que se tirou da cova. Faz-se\nesta plantao em dois tempos; hum quando se\nmoe para aproveitar os olhos da Canna, que he a\nparte superior della, de Junho at Setembro; o outro\nem Maro, que se tem pela melhor\nplantao,\na qual se faz ento com as estacas tiradas de\ntoda a Canna, que se no moeo, com o fim mesmo\nde se plantar neste tempo. He de costume a qualquer\ndas duas plantaes dar duas capinas, ou limpas.\nA Canna plantada de Junho a Setembro, he\nmoida no anno seguinte com doze a quatorze mezes;\na plantada em Maro, de dezoito a vinte mezes;\nhuma, e outra se deixa ficar por no se poder\nmoer, para Canna velha; planta-se, ou moe-se\nna safra subsequente. Da Canna, que se cortou,\ncolhe-se a scca no anno seguinte, e dahi todos\nos annos as resscas, em quanto no terreno broto\nCannas. Ainda que se conhea, que estas resscas\nrendem progressivamente ametade, as ultimas\nem respeito s antecedentes, todos as aproveito\nquanto podem. Alguns lavradores, rarissimos, se tem\nservido do arado para fazer os regos, e de algum\nestrume nas terras j canadas, porm\no numero\nhe to diminuto, que no merece entrar em linha\nde conta; o geral he limpar a terra a brao, ajuntar\no capim, fazer covas com a enxada sem ali\nhuns dos outros, de hum palmo, a palmo e meio;\ne se suppem a terra muito boa, chego a dois\npalmos. So lanadas nestes regos duas estacas de\nCanna, de palmo e meio de comprido, e se cobrem\ncom a mesma terra, que se tirou da cova. Faz-se\nesta plantao em dois tempos; hum quando se\nmoe para aproveitar os olhos da Canna, que he a\nparte superior della, de Junho at Setembro; o outro\nem Maro, que se tem pela melhor\nplantao,\na qual se faz ento com as estacas tiradas de\ntoda a Canna, que se no moeo, com o fim mesmo\nde se plantar neste tempo. He de costume a qualquer\ndas duas plantaes dar duas capinas, ou limpas.\nA Canna plantada de Junho a Setembro, he\nmoida no anno seguinte com doze a quatorze mezes;\na plantada em Maro, de dezoito a vinte mezes;\nhuma, e outra se deixa ficar por no se poder\nmoer, para Canna velha; planta-se, ou moe-se\nna safra subsequente. Da Canna, que se cortou,\ncolhe-se a scca no anno seguinte, e dahi todos\nos annos as resscas, em quanto no terreno broto\nCannas. Ainda que se conhea, que estas resscas\nrendem progressivamente ametade, as ultimas\nem respeito s antecedentes, todos as aproveito\nquanto podem. Alguns lavradores, rarissimos, se tem\nservido do arado para fazer os regos, e de algum\nestrume nas terras j canadas, porm\no numero\nhe to diminuto, que no merece entrar em linha\nde conta; o geral he limpar a terra a brao, ajuntar\no capim, fazer covas com a enxada sem alinhamento,\nplantar sem estercar, fazer toda a plantao\nem hum, ou dois partidos, fugindo de terras\nvirgens, porque, assim como as muito estercadas,\nou estrumadas, fazem a Canna, a que se chama\ntaioba, quero dizer, muito aquosa, muito oleosa,\ne pouco assucarada.\n\n\n[4]\nNotas\nsobre esta frma de\nplantao.\n\n\n\nSendo a Canna de Assucar huma planta, destinada\npela Natureza a alcanar doze, dezaseis, vinte,\ne mais palmos de altura, segundo o terreno,\ne at pollegada e meia de diametro, no he\npossivel\nque possa prosperar plantando-se to junta;\nporque rouba huma a substancia da outra. Tambem\nas covas, ou regos, em que se planta, no\ntem bastante profundidade; duas, ou tres pollegadas\nno basto para a suster.\n\n\n\nPlantando-se sem alinhamento, em confuso,\nnunca o sol, e o vento podem aperfeioar o seu\nsucco. Fazendo-se a plantao em hum, ou dois\npartidos, pde pegar o fogo em ambos, o que succede\nalgumas vezes, e fica seu dono empobrecido.\nA experiencia tem feito conhecer, que todos os\nfructos doces carecem do Sol, e r para alcanar\na sua perfeio, e que o mesmo sol bata a nu\nsobre\na terra, que cobre as suas raizes; no se reunindo\nestas circumstancias, os fructos se deterioro\n proporo. Em Portugal as uvas, a\nque chamo\nde forcado, so sempre imperfeitas, porque\nas arvores, que as cobrem, lhes roubo a luz.\nAs larangeiras no Brasil, cubertas de erva de passarinho,\ndo, pela mesma causa, laranjas pouco\ndoces.\n\n\n\nAinda que estas larangeiras estejo limpas da\nmesma herva, ainda que estejo n'hum campo solitarias;\nse a terra, por onde esto permeadas as\nsuas raizes, est cuberta de herva, ou capim, que\nimpea a luz de bater sobre ella, os fructos so\nsempre azedos.\n\n\n[5]\nNenhum author, que trate da Canna de Assucar,\nmanda plantalla em menos distancia, que a\nde tres ps, e alguns querem seis, e sete, que\nso nove, e dez palmos e meio de cova a cova:\nisto ha de parecer hum paradoxo aos nossos lavradores,\nque at tem hum ditado: quero canna mil,\ne no gentil. Porm da\nperfeio, com que nas\nColonias estrangeiras se faz esta cultura, a mais\npreciosa d'America, he que tem procedido o gro\nde prosperidade, a que se tem elevado, e de que\nsomos privados, por seguirmos smente hum trilho\ncgo, e sem reflexo.\n\n\nTheoria para a\ncultura da Canna de\nAssucar.\n\n\n\nO Que vou dizer he hum extracto do que tenho\nvisto sobre esta materia. Os principios para a cultura\nda terra, segundo os Antigos, que suppunho\nas raizes das plantas, como os unicos orgos para\nreceber a sua nutrio, consistio em\nlavrar a\nterra com diversos instrumentos para a pr bem\nmovel, estrumalla, e depois de hum certo numero\nde colheitas, dar-lhe descano, quero dizer,\nconservalla limpa sem nutrir planta alguma. Os estercos,\ne estrumes de que se servio, era toda a\nespecie de excrementos de animaes, e vegetaes\npodres. Os modernos adoptando os mesmos principios,\ninsto por mais lavras; do o descano\nnos\ngrandes intervallos, que deixo entre planta e planta;\nestes intervallos so lavrados durante a\nvegetao;\nalm dos estrumes de que se servio os Antigos,\naccrescentro o dos marnes, ou terras\nsaponaceas,\ne o dos rebanhos nas terras que se propem\ncultivar; e alguns Authores no querem esterco,\n[6]\nque substituem com lavras, e mais lavras,\norigem da immensidade de instrumentos, que se\ntem inventado a este fim. Estes principios so certos\nem parte, e em parte diametralmente oppostos\nao fim que se busca. A quem ignorar os descobrimentos\nmais modernos, ha de parecer paradoxo\no dizer-se, que a terra natural no concorre\npara a vegetao das plantas; que estas\nno tiro\ndella alimento algum, e que s serve de alicerce\npara suster a sua corporedade. H terra\nvitrescivel,\nterra calcarea, terra argillosa, ou barro, marne,\ne humus.\n\n\n\nA terra vitrescivel absolutamente esteril, he\naquella de que foi composto, e faz a solidez do\nnosso Planeta. A terra calcarea he o residuo da\ndecomposio dos corpos animaes. A terra\nargillosa\nhe o residuo da decomposio dos vegetaes.\n\n\n\nO marne, ou terra saponacea, he a combinao\ndestas duas especies de terra, variado a infinito\ncom a ara, ou terra vitrescivel, segundo as\npropores da sua mistura. O humus, materia\nto\npreciosa para a vegetao, he a\ncombinao da decomposio\ndos corpos organisados, vegetaes, e\nanimaes de recente data, que tem a propriedade\nde dissolver-se n'agua, pelo oleo animal, e sal do\nvegetal, e com este liquido formar hum sabo, que\nse transforma em seiba, que he o sangue da planta.\n\n\n\nA argilla, ou barro de todas as especies, e as\nterras calcareas, so humus envelhecido, a quem\na decomposio dos animaes phlogisticou, e com o\nseu gluten, fez to tenazes as suas partes, que\nso impermeaveis s raizes das plantas;\nporm combinadas\ncom a ara, ou terra vitrescivel, fico terras\nproprias  vegetao. As plantas\nso viventes,\n[7]\nque tem a faculdade de se reproduzir pela semente,\npelo tronco, e pela raiz. A experiencia de\nBoyle, milhares de vezes repetida, e sempre\nconfirmada, prova com evidencia, que tiro a maior\nparte da sua nutrio do r; ellas tem\nvasos absorventes\npara receberem o alimento, e vasos exhalantes\npara se alliviarem do superfluo; ainda que\nestes orgos se no percebo\n simples vista, a\nexistencia delles he huma verdade. Assim como os\nanimaes do pasto a differentes especies de insectos,\ntambem os vegetaes sustento huma innumeridade\ndelles; cada hum tem os seus. Huma folha\nque cahe de qualquer planta, causa a morte a milhares\nde entes invisiveis. O fogo, o r, a agua, o\nhumus, e a terra concorrem para a vegetao. O\nfogo he o motor, o r o agente, a agua o vehiculo,\no humus o que faz a seiba.\n\n\n\nO fogo como calor, e como luz, faz subir os\nfluidos nas plantas desde a raiz; a frescura da noite\nos faz descer, fazendo assim huma especie de\ncirculao, e desta sorte capazes de receber\npelos\nvasos absorventes das suas folhas, do seu tronco,\nda sua raiz, as partes que os meteoros atmosphericos\nlhe communico. A agua muito composta,\ncomo elemento, faz com o gz, ou r fixo, a parte\nmais consideravel da planta. O r como atmospherico,\ne o receptaculo onde se combino todas as\nemanaes da natureza, serve de todas as sortes\n planta; e o humus faz as partes fixas della. A terra\nhe a matriz da semente, ou planta, que serve de\ncada, ou alicerce para esta se desenvolver, e\nsuster; e a fertilidade que se lhe suppem, he devida\nsmente s partes do humus, que em si\ncontm,\nboa, ou m, segundo a maior, ou menor\nquantidade, que encerra desta preciosa materia,\n[8]\nsegundo a planta; que deve nutrir; deve ser trabalhada,\ndividida, ter toda a facilidade para receber\nas aguas das chuvas, dos orvalhos, dos outros\nmeteoros aquosos, todos os principios fecundantes\nespalhados na atmosphera, e deixar-se penetrar\ndas raizes, que se vo estendendo \nproporo\nque a planta cresce. A abundancia do humus\nnos terrenos cubertos de mato virgem, quando\neste mato se derruba, e se pem a terra em\ncultura, faz prosperar extraordinariamente os vegetaes\nnella cultivados. Este humus, convertendo-se\nnas partes solidas das plantas, vai diminuindo\na pouco, e pouco; e passados annos fica a terra\nexhaurida desta preciosa materia, e por consequencia\nesteril. A experiencia fez conhecer em\ntodos os tempos, que os estrumes, e materias estercoraes\nreparavo de alguma sorte esta falta, e\nse usou delles com bom successo; porm que no\nbastando, era preciso dar descano a esta terra,\ndescobrindo-a de todas as plantas, lavrando-a muitas\nvezes, esperando que a atmosphera a fecundasse.\nIsto he hum grande erro, porque o calor\ndo Sol batendo a nu sobre esta terra, a faz arida,\ne vindo depois huma chuva, a pequena poro do\nhumus, que em si contm, he levado a outra parte,\ne por consequencia fica ainda mais empobrecido\no mesmo terreno, que com este methodo\nse quer enriquecer. He evidentemente demonstrado,\nque para a terra no canar, adquirir, e\nconservar o seu humus, e fertilidade, he preciso\nque esteja sempre cuberta de plantas. Devem cultivar-se\naquellas de que se pertende utilidade; quando\nestas se colherem, lanar a semente de outras\nde prompto crescimento, que tenho grandes, e\nbrandas raizes, que cubro bem a terra, taes como\n[9]\nnabos, rabos, cenouras,\nbatatas, aboboras,\netc. e antes de chegarem ao seu total crescimento,\nserem lavradas, enterradas; e quando tiverem\napodrecido, ou estiverem reduzidas a humus, plantarem-se,\nou semearem-se aquellas, de que se pertende\nredito.\n\n\n\nTrabalhando-se continuada, e alternativamente\ndesta sorte, podem evitar-se todos os estrumes,\ne estercos; estes so inventados pelos homens, e\no humus he o da natureza. As vargens que esto\ncercadas de serras, collinas, montes, se estas eminencias\nse conservo coroadas de matto, so sempre\nferteis, porque o humus, que estes mattos esto\ncontinuadamente depositando na terra, dissolvido\npelas chuvas, vai enriquecer as vargens. As\nfraldas destas eminencias podem ser cultivadas para\npequenos vegetaes, se o angulo, que fizerem,\nno passar de quarenta, e cinco gros porque\nento s grandes arvores lhes convm.\n\n\n\nOs proprietarios destas eminencias, que as\ndescoroo de mattos, empobrecem o Estado a\nperpetuidade; a coroa sendo descuberta, apresenta\nhuma superficie nua aos raios do Sol, e passados\npoucos tempos fico reduzidas a escalvados; porm\na perda que no se repara mais, he a das chuvas,\nque os grandes vegetaes tem a propriedade de chamar.\n\n\n\nO humus no basta s para conduzir as plantas\n sua perfeio; ellas carecem ainda\nda luz,\n3, do r renovado, 4, de ter a superficie da terra\nat onde podem extender-se as suas raizes, despida\nde plantas; esta mesma terra revolvida, bem dividida,\ne haver entre planta, e planta huma certa\ndistancia, proporcionada aos succos, de que carecem,\nsegundo a sua natureza; haver huma escolha\n[10]\nescrupulosa na semente, ou planta, e conhecer\nqual he o tempo proprio para se lanar na\nterra, etc. etc.\n\n\nComo se deve\ncultivar a Cana de\nAssucar.\n\n\n\nA Experiencia tem feito conhecer, que o melhor\ntempo de plantar a Canna na Capitania do Rio de\nJaneiro, he de Dezembro a Maro, para ser moida\nde Junho a Septembro do anno subsequente, com\ndezoito mezes de idade. Como nestes mezes no\nh olhos de Canna, usa-se cortar da Canna, que se\ndeixou para velha, pequenas estacas; porm esta\nCanna velha, que est deteriorada por ter passado\ndo ponto da sua madureza, tem sim bastante doura,\nporm os botes, ou olhos dos seus\nns, ou\narticulaes, que he o que deve ser Canna, huns\nesto j murchos, outros podres, e por\nconsequencia\nperdidos; e s a parte superior da Canna, que\nsempre conserva verdura, pouca doura, e mesmo\nacidez, he o que nasce facilmente.\n\n\n\nAinda que os botes estejo em bom estado,\ndevem desprezar-se as Cannas velhas, porque em\nquanto tem doura, no nascem, e he preciso hum\nmez, e mais tempo para a perderem. Para se fazer\nhuma plantao perfeita, he preciso fazer a\nplanta.\nNo principio da moagem, devem plantar-se os\nolhos, ou parte superior da Canna, n'huma terra de\nmuita substancia, lodosa mesmo, em terreno virgem,\nque tenha bem humus, ou seja bem estercado,\npara a Canna, que nascer, ser bem ataiobada,\nou selvagem. Desta Canna sem doura, e bravia,\nhe que se tiro as estacas para fazer a\nplantao;\ncujas estacas devem ter o comprimento,\n[11]\nque alcancem quatro ns, que segundo a distancia\nde n a n, sero mais compridas, ou\nmais\ncurtas. Esta Canna plantada n'hum terreno to pouco\nproprio para se lhe extrahir o Assucar, no he\nperdida; alm da utilidade da boa planta, no fim\nde dois, ou tres cortes, pde servir para Assucar;\nporm deve haver o cuidado de renovar a Canna\npara a planta. A Canna de Assucar cresce em todas\nas especies de terra; porm as que so gordas,\nfortes, baixas, lodosas, novamente roteadas, quero\ndizer, donde se derrubou matto virgem, a pezar\ndo comprimento, ou altura, que alcano, tem o\nsucco aquoso, oleoso, pouco assucarado, difficil\nde cozer, de purificar, sem rendimento. Hum terreno\nligeiro, poroso, profundo, inclinado at quinze\ngros, he aquelle que a natureza tem destinado\na este rico vegetal. Deve-se dividir o terreno destinado\npara a Canna em tres partes, e cada huma\ndestas partes, subdividir-se em pequenos quadrados\nde doze braas cada hum; qualquer que seja\na exposio do terreno, sempre estes pequenos\nquadrados ho de ser alinhados de Norte a Sul,\nde Leste a Oeste. Veja-se a\nEstampa\nI. Cultivo-se\nestes pequenos quadrados, deixando os lados de\ncada hum delles para todas as partes, livres da\nplanta da Canna; porm podem occupar-se em\nmandioca, cars, batatas, feijo, milho,\naboboras,\nervilhas, etc. Cada hum dos quadrados, se\ntiver doze braas de frente, e doze de fundo,\ndeve conter quatrocentas covas, na distancia humas\ndas outras de seis palmos. Para se fazerem\nestas cvas, no he preciso que todo o quadrado\nesteja descuberto de capim, basta que seja limpo\npouco mais que o tamanho dellas, que devem ter\ndois palmos de comprido, hum palmo de largo,\n[12]\ne seis pollegadas de fundo. Comparadas estas covas\ncom as que se fazem actualmente, ho de\nparecer muito grandes, e muitos fundas; e na realidade\no no so, respeito s que fazem os\nColonos\ndas Antilhas, e o mesmo digo sobre a distancia\ndellas; pois elles chego a afastallas humas das\noutras, at dez palmos e meio, e a dar-lhe dezoito\npollegadas de comprido, doze de largo, e oito\nde fundo. O milho para prosperar de serra acima,\npara os seus cultores colherem duzentos por hum,\nhe preciso fazerem as covas na distancia de cinco\na seis palmos, nas quaes lano quatro, ou cinco\ngros; ora este vegetal no tem o corpo da Canna\nde Assucar, nem como ella carece de tanta substancia,\ne alimento; a cova de milho he para quatro,\nou cinco ps, a da Cana para oito, ou dez,\nque tantas so as que devem nascer, dos olhos,\nos botes das duas pequenas estacas, que se\ndeito\nnas covas, e se devem conservar, cortando todas\nas que demais nascerem, porque como ladres\nlhe roubo a substancia.\n\n\n\nHe certo que com a enxada, que se usa no\nBrasil, que he talvez a primeira que se inventou,\ne onde no chegou ainda a enxada de Luca, Franceza,\nou Ingleza, he hum pouco difficil fazer esta\nespecie de covas; so precisas de vinte a trinta\ngolpes, quando com qualquer das mencionadas,\nbasto tres, ou quatro. A nossa enxada he fatigante,\no trabalhador anda curvado; e tendo o ferro de\ncinco a seis libras, elle carrega com vinte, ou\nmais nas cadeiras; nesta especie de servio o homem\nbaxo tem vantagem ao homem alto, a quem\nhe preciso maior curvatura, e por consequencia\ndobrado esforo. Na Republica de Luca, e em algumas\nProvincias de Frana, no se usa de arado,\n[13]\nnem de charrua, porque a sua enxada equivale ao\ntrabalho destes instrumentos, e fica a terra mais\nbem trabalhada.\n\n\n\nNo Brasil onde os mesmos instrumentos pouco\nuso podem ter, he de huma grande vantagem\no adoptarmos a enxada Luqueza, ou outra com\npouca differena, que he huma especie de\np,\ncom dez pollegadas de altura, nove de largura em\ncima, oito em baxo, com a grossura de meia pollegada,\na acabar em huma linha, bem temperada\nde ao, com hum alvado de seis pollegadas, quatro\na meio ferro, e duas sobresahindo, e com a\nvacuidade de pollegada e meia de diametro, que\nvai diminuindo insensivelmente, com dois furos no\nalvado, para com huma cavilha se fazer firme o\ncabo, que deve ter oito palmos de comprido. Veja-se\na Estampa II. Fig. I. e II. O trabalhador\ncom este instrumento tem o corpo direito, virado\npara o Norte, os calcanhares afastados pouco mais\nde meio palmo; a enxada afastada quasi hum palmo\ndo p esquerdo; a mo esquerda por todo o\ncomprimento do brao, pegando no cabo; e a mo\ndireita pegando no mesmo cabo, quasi no hombro\ndireito Fig. III. A\nmo esquerda levanta a enxada\nat onde pde hir, sem que o antebrao\nse desuna\ndo corpo. Fig. IV. A mo\ndireita da altura, a que\nchegou, impelle a enxada com toda a fora, e a\nesquerda deixa escorregar o cabo, segundo a ferida\nque a enxada fez na terra. Para se tirar esta\nterra, serve de apoio a mo esquerda, e a direita\ncarregando no cabo, levanta a p, e ambas a guio\npara lanar a terra a qualquer parte; porm deve\nser regularmente para Oeste, ou Leste. No segundo\nmovimento, deve chegar-se o calcanhar do p\nesquerdo ao do direito, e este ladear para a direita\n[14]\ntanto quanto a enxada cava, e assim progressivamente.\n\n\n\nDesignados os quadrados para a plantao da\nCanna, vo a cada hum vinte trabalhadores; o seu\nfeitor os deve pr enfileirados olhando para Oeste,\nna distancia de seis palmos huns dos outros; manda-os\nandar  direita para ficarem virados para o\nNorte; manda-lhe passar o p direito a perfilar com\no esquerdo, na distancia pouco mais que meio palmo;\ne desta sorte principio o trabalho, abrindo\nas covas de Oeste para Leste, de manh at ao\nmeio dia, servindo de guia a sombra do corpo; e\ndo meio dia para a noite virados para o Sul fazem\no mesmo; ou tambem podem trocar as mos, porque\nse trabalha para o lado direito, assim como\npara o esquerdo; devendo buscar-se de qualquer\nsorte o alinhamento perfeito das covas de Norte\na Sul, e de Leste a Oeste, o que he essencial para\na perfeio da cultura deste rico vegetal.\n\n\n\nFeitas as covas, devem lanar-se nellas duas\nestacas de Canna, que no tenho menos de quatro,\nnem mais de cinco botes, para quando nascerem,\nfazerem huma soqueira de oito, ou dez\nCannas. Cobrem-se estas estacas com duas pollegadas\nde terra, e quando tem nascido a Canna,\ne alcanado dois palmos pouco mais de altura, enchem-se\nas covas com o resto da terra. Limpo-se\nas Cannas de todas as hervas que podem roubar-lhe\na substancia,  proporo que forem\nnascendo.\nEsta plantao deve fazer-se de Janeiro\nat\nMaro, e no antes, nem depois. Qualquer que\nseja a qualidade da terra, no deve pretender-se\nmais, que dois cortes; o primeiro dahi a dezoito\nmezes, o segundo a que se chama sca, dahi a\nquinze, ou dezaseis mezes. Depois deste segundo\n[15]\ncrte, deve occupar-se o terreno em que esteve\na Canna, com aboboras de todas as especies, que\ntem a propriedade de cubrir bem a terra, para que\nas raizes da Canna apodreo, e depois de\nconvertidas\nem humus, ficar a terra apta para receber\nnova Canna, que dahi a mais de hum anno se lhe\npde confiar. De Janeiro a Maro do segundo anno,\ncultiva-se a segunda diviso, e no anno seguinte\na terceira. A quarta plantao faz-se nos\nmesmos quadrados da primeira; a quinta, nos segundos,\na sexta nos terceiros, a setima nos primeiros\nda primeira, a oitava nos da segunda, a\nnona nos da terceira, e assim alternativamente;\nde sorte que a Canna de cada quadrado tenha intervallo\nbastante, que a livre de plantas, que lhe\nroubem a luz. Esta frma de plantao\npde variar-se\na infinito, segundo a quantidade de terreno,\ne intelligencia do cultor.\n\n\n\nEm lugar de quadrados perfeitos, podem ser\nquadrados longos etc., com tanto que se busque\nsempre o dar  Canna, a maior quantidade de r,\ne luz possivel; porque a experiencia faz ver com\nevidencia, que s a dos aceiros, que recebe continuadamente\na influencia destes dois agentes, he\nque alcana perfeio no seu succo; a\nque est\npara dentro, fica sempre esverdeada, o seu succo\nmal digerido, difficil de cozer, e de purificar; por\nconsequencia o fim do lavrador deve ser quanto\nlhe for possivel, fazer todo o Canaveal em aceiro.\n\n\n[16]\nVantagens desta\nfrma de\nplantao.\n\n\n\nSe h fogos por accidente, he moralmente impossivel,\nque passem de huns a outros partidos,\ntendo to grande separao entre si.\nNunca os\ncarros, nem animaes pizo o Cannaveal, quando\nse conduz a Canna  fbrica. H\nfacilidade para se\nverem as Cannas de todos os pequenos partidos,\npara se cortarem os filhos que broto, que como\nladres lhe roubo a substancia.\n\n\n\nQuasi todo o Cannaveal est em aceiro, quero\ndizer, est apto para receber a influencia, e\nnutrio, que lhe communica a atmosphera. A\nrenovao,\ne correnteza do r impede a gerao, e\npropagao de insectos, taes como baratas, e\noutros,\nque a sua corrupo tem a propriedade de\nchamar. Pelo alinhamento de Norte a Sul, de Leste\na Oeste, recebem as Cannas os raios da luz, que\no Sol pde communicar-lhes, e que lhes so\nto\nprecisos para a depurao do seu succo.\n\n\n\nFacilita o tarefar o trabalho, etc. etc.\n\n\nCrte\ndas Cannas.\n\n\n\nA Canna de Assucar gasta dezoito mezes a chegar\nao seu ponto de perfeio, porm se\nh seccas,\nanticipa-se; o gosto, e a vista he que decidem\na colheita; quando est bem doce, e tem a\ncr amarellada, he tempo de cortar. He sabido de\ntodos, que principia a ser doce do p, e que esta\ndoura vai diminuindo gradualmente para a parte\nsuperior, e que junto  bandeira, ou olho, no\n[17]\ns no tem doura, porm\nmesmo tem acidez, e\nhe por consequencia hum erro, o aproveitalla at\ns folhas. Deve sim cortar-se bem rente  terra\nsem ferir as raizes, porm o palmo junto s\nfolhas,\ndeve-se desprezar. Segundo a sua grandeza,\nse ha de cortar em huma, duas, e talvez tres\npartes, servindo de ballisa, o no ter mais de cinco,\nou seis palmos, para se appresentar  moenda.\nUsa-se, quando se corta, fazer feixes de seis, ou\noito Cannas, segundo a sua grossura, cujos feixes\nso amarrados com os olhos das Cannas que se\ncortro. Esta especie de atilhos he tirada dos\nfeixes\nde Canna, quando se appresento  moenda,\nporm escapo muitos, que se espremem com a\nCanna; ora, tendo elles acidez, vo deteriorar o\nsumo, de que se ha de fazer Assucar, gastar mais\ndecoada, e lenha, alm do tempo, e servio que\nse perde; porque no acto de cortar a Canna, so\nprecisas quasi tantas pessoas para amarrar, como\npara cortar; e para a conduco tanto importa\nestar\nem feixes, como solta, e o mesmo para se meter\nna moenda, onde o trabalhador pde regular\no pegar em seis, ou oito, doze, ou dezaseis, para\nas appresentar. Deve haver cuidado de no se\ncortar mais Canna, que a que pde moer-se em\nvinte e quatro horas, principalmente se o calor he\nintenso, porque o sumo fermenta na mesma Canna,\no que arruina a sua qualidade.\n\n\nConstruco\ndos engenhos\nactua\u003cb\u003e ......Buy Now (To Read More)\u003c\/b\u003e\u003c\/p\u003e\u003ch3\u003eProduct details\u003ch3\u003e\u003c\/h3\u003e\n\u003c\/h3\u003e\u003cp\u003e\u003cb\u003eEbook Number\u003c\/b\u003e: 25148 \u003cbr\u003e\u003cb\u003eAuthor\u003c\/b\u003e: Gomes, José Caetano \u003cbr\u003e\u003cb\u003eRelease Date\u003c\/b\u003e: Apr 23, 2008 \u003cbr\u003e\u003cb\u003eFormat\u003c\/b\u003e: eBook \u003cbr\u003e\u003cb\u003eLanguage\u003c\/b\u003e: Portuguese \u003cbr\u003e\u003c\/p\u003e","brand":"booksdeli.com","offers":[{"title":"Gomes, José Caetano \/ eBook \/ Portuguese","offer_id":43218696437917,"sku":"gb-25148-ebook","price":9.99,"currency_code":"USD","in_stock":true}],"thumbnail_url":"\/\/cdn.shopify.com\/s\/files\/1\/0619\/5648\/9373\/products\/25148.jpg?v=1671501176","url":"https:\/\/booksdeli.com\/products\/memoria-sobre-a-cultura-e-productos-da-cana-de-assucar-gb-25148","provider":"booksdeli.com","version":"1.0","type":"link"}